08 DE MARÇO DIA INTERNACIONAL DAS MULHERES
HOMENAGEM DO COLETIVO DE JUVENTUDE DA CADESC A TODAS AS MULHERES DESSE PLANETA....EM ESPECIAL A SENHORA CAROLINA MARIA DE JESUS. "...Fiz a comida. Achei bonito a gordura fringindo na panela. Que espetáculo deslumbrante! As crianças sorrindo vendo a comida ferver nas panelas. Ainda mais quando é arroz e feijão, é um dia de festa para eles."
Carolina Maria de Jesus nasceu em Sacramento, Minas Gerais, no ano de 1914, provavelmente. Mudou-se com a mãe viúva e os irmãos para uma fazenda, quando cursava o segundo ano primário, que constituiu toda a sua escolaridade, com a morte da mãe, vem para São Paulo em 1937.
Carolina é o chefe de uma família de pai ausente, de uma família contra o pai, um tipo de família a que os antropólogos chamariam matrifocal. Carolina, trabalhou como empregada doméstica e, grávida de seu primeiro filho, já não a aceitam mais para esse tipo de serviço. Muda-se para a favela e tem mais dois filhos, três ao todo, não se casou. Tampouco teve um companheiro fixo, passando ao realismo prático que a faz entender que um marido no barraco seria antes de tudo, mais uma boca para sustentar, associa-se em Carolina o ideal do artista que necessita de concentração
Em 1958 aparece a primeira reportagem sobre seu diário no jornal Folha da Noite. No ano seguinte, é a vez da revista O Cruzeiro era o aceno do sucesso e da popularidade. O abraço viria a partir de 1960.
Publicado pela Livraria Francisco Alves, Quarto de Despejo teve a sua primeira edição de dez mil exemplares esgotada na primeira semana do lançamento. Nove edições foram feitas no Brasil, sem contar a edição de bolso de 1976, um ano antes da morte da autora. O livro foi traduzido para treze línguas e circulou em quarenta países. Carolina Maria de Jesus, a favelada-escritora, passou a ser assunto constante de jornais e revistas nacionais e internacionais, com amplas reportagens em Life, Paris Match, Epoca, Réalité e Time.
Quarto de Despejo, tal como o público o conheceu, é o resultado impresso de um trabalho de cortes e pequenos acertos feitos pelo jornalista Audálio Dantas sobre os originais de trinta e cinco cadernos
manuscritos nos quais Carolina Maria de Jesus foi registrando o seu dia-a-dia na favela do Canindé.
No lançamento de Quarto de Despejo, presente uma multidão, além de artistas e autoridades. Entre estas, o ministro do Trabalho de Juscelino Kubitscheck - João Batista Ramos - que promete uma casa para a autora. Não deu.
Contudo, o êxito comercial do livro permite-lhe comprar uma, de alvenaria, no bairro de Santana, onde passa a morar com os filhos até 1964.
Fonte: Editorial Soc. Comun. Ecol. Cult. e Esc. de Samba Fala Negão
